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domingo, 21 de dezembro de 2014 0 comentários

domingo estranho: parte 2

Meu irmão morreu aos 36 anos e na época sua morte me fez refletir muito sobre a vida (a minha vida). Chego a dizer que hoje a morte não me assusta (não mais), ao contrário, só ela me faz lembrar que cada dia é um dia que eu deveria viver em sua plenitude, sem deixar nada para depois. Por que afinal, quem aí sabe quanto tempo permanecerá respirando? Eu não sei (apesar de achar que sei). Mas na prática, eu vivo uma vida vacilante, toda influenciada por questionamentos que começam com "E se...?", "Mas se...?".
Eu deveria (deveria meu Deus!) deixar de pensar tanto nas consequências, que supostamente podem a vir existir em um futuro que eu nem sei se terei, e viver o hoje. Mas eu (e muita gente aí) vive como se o futuro fosse um tempo certo, garantido, e assim vou (vamos) deixando passar oportunidades e adiando decisões, sonhos. Enquanto escrevo, vou lembrando das oportunidades que perdi por ter dado muito crédito ao futuro.
É claro, não sou radical a ponto de achar que dá para viver 100% sem considerar o futuro. Mas deve dar para viver menos presa a ele, certo?
De uma forma ou de outra, viver é um desafio e só por isso devíamos complicar menos, bem menos.
PS: Eu não disse que domingo era um dia estranho?!

domingo, 22 de junho de 2014 0 comentários

dia estranho: domingo

Domingo é para mim o dia da semana mais estranho que existe.
O silêncio das ruas e o silêncio aqui dentro resultam em um sentimento meio...não sei ao certo se a palavra é triste. Talvez vazio? Não sei. Não sei se existe apenas uma única palavra que consiga defini-lo.
Sinto falta, mas também não sei exatamente do quê ou de quem.
Difícil explicar.
quinta-feira, 19 de junho de 2014 0 comentários

eu e meus medos

Enfrentar meus medos sempre foi uma opção.
Eu tenho medo de água. Então nado.
Eu tenho medo de altura. Então escalo, faço rapel e agora me penduro em tecidos.
O medo faz meu coração bater mais forte, me dá um frio danado no estômago, me faz até vacilar...mas não desistir.
Enfrentar cada medo tornou-se um desafio, e tem sido assim desde sempre.
domingo, 8 de junho de 2014 0 comentários

libertando-me das expectivas

Tenho descoberto que parte da minha angústia vem de minhas expectativas e projeções infantis e românticas sobre pessoas e cenários futuros.
Esquecer o passado, focar no presente e não esperar muito do futuro tem sido um desafio gigantesco, ainda mais para alguém como eu que tende a querer tudo sob controle.
No exercício de frear minhas expectativas, tenho meditado e contemplado o silêncio. Isso tem me forçado a prestar atenção apenas à minha própria respiração, e mais nada. Tem sido um exercício de esvaziar-me para encontrar-me, longe dos estímulos e pressões externas.
Meu desejo maior é viver o hoje e nada mais.
As expectativas e desejos de projeções continuam aqui dentro, mas agora quando elas tentam aflorar eu não mais luto contra, apenas digo "agora não" e as deixo passar.
Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto, hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver. (Dalai Lama)
quarta-feira, 21 de maio de 2014 0 comentários

curtindo a rotina

Hoje eu fui à livraria. Ao contrário de uma Cultura, ela é bem pequena, só tem uma sala e duas funcionárias. Mas lá tudo é muito pessoal e acolhedor, as funcionárias te chamam pelo nome, passam tempo papeando com você sobre os autores e suas obras e lhe dão também liberdade para você ter seu próprio tempo dentro da livraria. Hoje, inserida nesta atmosfera, eu me senti muito feliz e agradeci. No trajeto para casa fui degustando a boa sensação e pensei que o quero mesmo é continuar assim por enquanto, visitando lugares já conhecidos. Aventurar-me por este mundão não é uma opção hoje, ao menos não sozinha. Desde 1999 já me mudei de cidade 5 vezes, passando por 4 cidades, 2 estados e dentro das cidades me mudei várias vezes de casa. Gosto de mudanças, novidades e desafios, mas hoje sinto que quero fincar raízes em um local, ser chamada pelo nome pelo atendente da padaria, ser amiga da vendedora de livros e cumprimentar diariamente o seu João da banca de jornal.
Mas...por outro lado, eu também estou pronta para recalcular a rota por alguém. Acompanhada, eu topo me mudar, abrir mão dos meus lugares conhecidos e recomeçar do zero em um novo local (já fiz isso e faria novamente). Mas, enquanto o amor não vem, eu continuo cultivando e curtindo minha rotina de andar pelos mesmos lugares.
segunda-feira, 12 de maio de 2014 0 comentários

#NãoExisteAmorEmSP

Este final de semana acontecerá a Virada Cultural SP e para minha alegria eu estarei lá! Há tantas opções bacanas na programação que eu me alegro só de sabê-las, mesmo ciente que não conseguirei ver todas.
Eu amo SP, ou melhor, amo as oportunidades culturais que a cidade me oferece. Mas acredito que não seria muito feliz morando lá. Eu a amo justamente por morar fora. Se vivenciasse diariamente metrô/ônibus lotado e trânsito caótico, certamente teria outra opinião. Hoje entendo porque meus amigos de SP pouco usufruem da cidade em seu tempo livre. Na verdade, eles possuem pouco tempo livre. Durante a semana eles perdem a noite no trânsito, no retorno para casa; e no final de semana eles compartilham de um só pensamento: descansar, longe de tudo que lhe remeta à canseira dos dias úteis (metrô/ônibus/trânsito/mar de gente).
Lá em SP vive-se pouco para trabalhar e trabalha-se muito para viver. Viver? Que vida é essa?
sexta-feira, 9 de maio de 2014 0 comentários

pequenas felicidades certas...


"quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim." (Cecília Meireles)

terça-feira, 6 de maio de 2014 0 comentários

dance, mesmo que não faça sentido

Clique na imagem para ampliá-la.

sábado, 3 de maio de 2014 0 comentários

eu me importo












Sim, eu me importo...
- com as pessoas que magoei;
- com as pessoas que me magoaram.
Sinto uma imensa necessidade de liberar perdão e de ser perdoada.
Eu me importo, e não me importo de ser assim.

quinta-feira, 1 de maio de 2014 0 comentários

a vida é um risco

Por anos eu vivi tentando não causar dor/desconforto a mim e às pessoas ao meu redor. Nas situações críticas, eu tentava me antecipar, prever a reação do outro e se, no meu julgamento, ela fosse desfavorável ao outro então eu tomava a decisão de lidar com tudo sozinha. Além de querer sempre evitar ser um "peso"  para o outro, era também uma forma de eu me proteger de uma possível reação negativa.
Mas tudo isso não era assim tão óbvio, eu fazia tudo de uma forma não muito consciente, tinha virado um hábito. Esse meu jeito de lidar com as adversidades só veio à tona quando minha terapeuta disse "Raquel, você precisa deixar que o outro decida por si só, não tire dele este direito de analisar a situação e reagir". Era isso, eu estava tentando viver sem me arriscar.
Quando eu me acidentei de moto eu estava hospedada sozinha na casa de um amigo, ele estava fora. Depois do acidente, eu tinha a opção de avisá-lo ou não. Eu optei por não avisá-lo. E assim, mais uma vez, eu decidi lidar com tudo sozinha (mesmo precisando de ajuda) para não colocar meu amigo em uma situação complicada. Eu simplesmente privei meu amigo de lidar com aquela situação e decidir por si só o que fazer diante da notícia do meu acidente. Eu não quis arriscar.
Mas a vida é um constante risco e nós não temos o controle de nada e de ninguém. O outro é outro e não eu, por mais parecidos que possamos ser. Não há como prever com exatidão suas reações.
Expressar meus sentimentos, expor minhas fragilidades e necessidades ao outro tem sido um constante exercício. Assim como não privá-lo de uma possível dor ou embaraço.
E ao fazer isso, tenho aprendido também a lidar com suas respostas, em especial as negativas. Tudo isso tem servido para aumentar meu repertório emocional. Mas não tem sido fácil, porque afinal como diz a Adélia Prado: "a existência humana é um vale de lágrimas...onde se tem alegria, oásis, grama verde, crianças...é a vida". Apesar dos pesares, viver ainda vale muito a pena.
terça-feira, 29 de abril de 2014 0 comentários

Memórias de infância

Voltei a ler "Memórias inventadas: as infâncias de Manoel de Barros" porque as memórias dele me levam até às minhas. Acabei de ler "O apanhador de desperdícios", da "A primeira infância", que me fez lembrar minhas muitas horas debruçada no chão, sobre um formigueiro. Lembro que eu gostava de testar o "paladar" das formigas presenteando-as com diferentes alimentos: açúcar, arroz, feijão. Lembro também que eu adorava vê-las trabalhando. Eu jogava terra dentro do formigueiro para vê-las retirar, grão por grão, um "trabalho de formiguinhas". E ficava boquiaberta quando as soltava lá de cima e elas caiam no chão como se nada tivesse acontecido. Quanto mistério por trás de um ser tão 'desimportante'.
As lesmas também me causavam curiosidade. Não tinha coragem de tocá-las, mas elas me fascinavam. Um dia ouvi que jogar sal na lesma a fazia borbulhar, resolvi testar, sem pensar nas consequências para o animal. Joguei sal e quase morri do coração quando a vi borbulhar. Meu desespero foi tamanho que chorei e no impulso dei um banho na coitada para retirar o sal. Aquilo me fez sentir a pior pessoa do mundo. Descobri que Manoel de Barros também gostava de lesmas, ele escreveu sobre elas.
Abaixo vão seus textos sobre os seres desimportantes. Manel, Manel...você me encanta!

domingo, 20 de abril de 2014 0 comentários

Minha escrita

Eu escrevo bastante. Mantenho um diário (não muito atualizado), carrego comigo um Moleskine de bolso para anotar ideias e pensamentos, meus emails aos amigos são sempre grandes e tento usar este canal para me expressar. Escrevo porque eu penso em demasia e só consigo organizar meus pensamentos soltos e inúmeros quando eu os materializo na escrita. Acho que me expresso melhor escrevendo do que falando, mas mesmo assim ainda tropeço nas palavras escritas e nem sempre a informação chega do outro lado como deveria. Eu escrevo, mas queria saber escrever, em especial poesia. Uma poesia simples, que flua, que não precise ser racionalizada e nem de dicionário ou de um crítico para me ajudar em seu entendimento. Meus poetas favoritos são pessoas simples, que não fazem poesia, não precisam de inspiração, são poetas por vocação.

"Não me importo com as rimas. Raras vezes
Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.
Penso e escrevo como as flores têm cor
Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me
Porque me falta a simplicidade divina
De ser todo só o meu exterior.

Olho e comovo-me,
Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado,
E a minha poesia é natural como o levantar-se o vento..."
(Alberto Caeiro)
terça-feira, 15 de abril de 2014 0 comentários

Sofrimento

"De vez em quando Deus me tira a poesia. Olho pedra, vejo pedra mesmo. O mundo, cheio de departamentos, não é a bola bonita caminhando solta no espaço." (Adélia Prado)
"Felicidade só em raros momentos de distração..." (Guimarães Rosa)

A vida é feita também de sofrimento. E a gente vive para afastá-lo achando que assim nos aproximaremos da tal "felicidade". Mas a vida é feita de ambos, então o melhor a fazer é vivenciá-los em paz. Para mim o sofrimento é uma condição de consciência. Quando um ente querido morre, vem o sofrimento nos "conscientizar" que a vida é finita, mesmo a gente vivendo como se gozasse de vida eterna. Quando sofremos por um amor 'perdido', é a vida nos lembrando que nada nos pertence. Negar o sofrimento nunca é a melhor saída, porque na próxima esquina ele nos acha novamente. Tentar desesperadamente preencher o vazio gerado por ele com elementos externos também não me parece uma boa ideia. Acho, na minha simplória experiência, que a saída mais 'saudável' é enfrentá-lo de frente, reconhecendo sua existência e permitindo sua vivência (passar pelo luto). Acredito que só assim conseguiremos identificar e agregar as ferramentas necessárias para superá-lo ou de algum forma conviver com ele em paz. Na minha primeira desilusão amorosa, eu achei que fosse morrer, literalmente. Até dores físicas no peito eu cheguei a sentir. Foi um longo e dolorido sofrimento, mas que me permitiu conhecer mais de mim mesma. Minha primeira experiência com morte de um familiar também foi barra pesada, mas me ajudou a passar com mais facilidade e tranquilidade nas outras duas que viriam. Dessa forma, percebo que minhas experiências com a dor tem ampliado meu repertório emocional e me ajudado a buscar dentro de mim mesma os instrumentos necessários para me readaptar. Percebo também que o sofrimento me obriga a ser criativa, ele me força a pensar em maneiras novas de superá-lo.
sexta-feira, 4 de abril de 2014 0 comentários

a pobreza e eu

Estar em constante contato com a pobreza e com as pessoas que sofrem seus males, cansa na alma, dói.
As necessidades são maiores do que eu tenho a oferecer. E eu nem ofereço ajuda emergencial, ofereço educação. Na minha ânsia imediatista de ajuda, às vezes fico pensando que eu deveria ter feito medicina e ter me oferecido para trabalhar nos Médicos sem Fronteiras, ou algo do tipo. Mas não fiz medicina e nem pretendo fazer, então neste sentido eu me basto assistindo documentários sobre as ações dessas organizações. Enquanto isso, vou seguindo, botando fé na educação como via de mudança e alteração de rotas.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014 0 comentários

Saudade...

Lembro que quando pequena eu achava sua mão imensa, a minha pequena se perdia dentro da dele. Lembro também que sua mão era áspera, mas ao mesmo tempo macia. Ou só era áspera mesmo por conta do trabalho no campo, mas eu as adorava. No fim, sua mão ficou pequena, muito macia e manchada. E no leito do hospital, meio inconsciente, ela era o que nos unia, nos aproximava e nosso amor se transportava, de um lado para outro. Sua mão já não era mais a que protegia, mas a que pedia proteção e cuidado. Ele voltou a ser criança, todo homem volta e cabe a nós segurar a sua mão.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014 0 comentários

Pensamentos soltos

Um amigo confidenciou: "Você é muita areia para os caminhões disponíveis"
Uma amiga sugeriu: "Mostre sua fragilidade"

Considerei ambos machistas.

Por que preciso ser 'menos' para atrair?
Menos madura, independente e forte?
Por que o outro precisa ser 'mais' para se sentir seguro e aproximar-se?
Por que não podemos ser nem 'mais' e nem 'menos'?
Ou por que não podemos admitir nossa diferença?

(divagações de um cérebro fritando nesse calor de verão...)




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Reativando...


Meio sem querer, redescobri meu antigo blog. E faz tempo que não passo por aqui. Uma pena. Tanta coisa aconteceu, tantas outras ficaram só no mundo das ideias...
Bem resumidamente...No final de 2010, após 11 anos, sai de Viçosa (MG) e retornei para minha cidade natal almejando criar um pouco de raízes. Cansei de não ter uma casa para chamar de "minha".
Em 2011 ganhei um novo sobrinho (lindo!), mas logo em seguida apareceu a doença do meu irmão, que acabou falecendo no início de 2012. Por decisão dele e sugestão dos médicos, tivemos nossa primeira experiência de morte em casa (como acontecia antigamente) e posso afirmar que, apesar da dor da perda, o momento da sua partida foi uma experiência linda e muito tranquila. Meses depois, fui adotada por uma cachorra de rua, que acabou cativando o meu coração por toda a vida. E no mesmo ano fiz minha primeira (e por enquanto a única) viagem à Europa (Holanda, Inglaterra, Bélgica, França e Portugal).
Em 2013 a morte novamente veio nos socorrer (sim, socorrer, em ambos os casos ela foi uma visita mais que bem vinda) e levou em paz meu idoso avô. Não lembro de outro fato marcante de 2013, apenas que tive muito trabalho e pouco tempo com os amigos e família.
2014 chegou e trouxe com ele muitas boas expectativas e motivações para alterações na rota e prioridades. Entre as lições aprendidas nestes últimos anos, as que mais têm ressoado aqui dentro são: 
  • a vida é breve demais para ser infeliz e/ou estressada;
  • nem sempre é possível passar muito tempo com amigos/família, então o que vale mesmo é a qualidade do tempo junto, seja ele curto ou longo;
  • simplificar é o caminho.
 
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