sexta-feira, 4 de abril de 2014

a pobreza e eu

Estar em constante contato com a pobreza e com as pessoas que sofrem seus males, cansa na alma, dói.
As necessidades são maiores do que eu tenho a oferecer. E eu nem ofereço ajuda emergencial, ofereço educação. Na minha ânsia imediatista de ajuda, às vezes fico pensando que eu deveria ter feito medicina e ter me oferecido para trabalhar nos Médicos sem Fronteiras, ou algo do tipo. Mas não fiz medicina e nem pretendo fazer, então neste sentido eu me basto assistindo documentários sobre as ações dessas organizações. Enquanto isso, vou seguindo, botando fé na educação como via de mudança e alteração de rotas.
Talvez, ou certeza, eu nunca presencie grandes resultados desse meu trabalho. E eu preciso aceitar isso.
Mas não é fácil, as pessoas tem necessidades reais e imediatas que a educação não consegue pronto atender. E eu fico nesta luta interna, tentando lidar com o agora (imediato) e o depois. E isso cansa.
Às vezes, não quero estar no meio da pobreza, não quero vê-la, tudo me parece muito pesado. Mas, não há como fugir para o que fomos chamados a fazer neste mundo. E quando a gente aceita o chamado, coisas incríveis acontecem meio a tantas necessidades e desgraças: sinais de esperança nos são revelados.
Estive recentemente em um povoado no interior do Rio Grande do Norte e conheci uma família enorme, matriarcal, pobre e em situação vulnerável. Quando cheguei na casa eu quis ir embora, era uma situação pesada demais. Mas precisei ficar e aceitar que eu pouco faria por eles. Olhei em volta, no meio de tamanha pobreza e tentei ver além do óbvio. Foi então que vi o sorriso das crianças e sua curiosidade a meu respeito, então me entreguei. Sentei no chão, comi umbus recém retirados pelas crianças de um chão imundo, lhes dei atenção e tudo virou uma festa. A pobreza ainda estava ali, a situação vulnerável daquelas crianças ainda existia...mas por alguns minutos nada disso importava, nem para mim e nem para elas.

Canseira, esperança, dor, alegria...quando se trabalha na área social tudo vem à tona com mais intensidade. Isso nos faz lembrar que somos só humanos, tão humanos quanto aqueles por quem sofremos e queremos ajudar. Nada mais.

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