domingo, 20 de abril de 2014 0 comentários

Roda Viva | Adélia Prado

Adélia está na minha lista de escritores(as) preferidos. Ouvir suas opiniões sobre política, Copa do mundo, cotidiano e religiosidade é uma delícia. Vale a pena!

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Minha escrita

Eu escrevo bastante. Mantenho um diário (não muito atualizado), carrego comigo um Moleskine de bolso para anotar ideias e pensamentos, meus emails aos amigos são sempre grandes e tento usar este canal para me expressar. Escrevo porque eu penso em demasia e só consigo organizar meus pensamentos soltos e inúmeros quando eu os materializo na escrita. Acho que me expresso melhor escrevendo do que falando, mas mesmo assim ainda tropeço nas palavras escritas e nem sempre a informação chega do outro lado como deveria. Eu escrevo, mas queria saber escrever, em especial poesia. Uma poesia simples, que flua, que não precise ser racionalizada e nem de dicionário ou de um crítico para me ajudar em seu entendimento. Meus poetas favoritos são pessoas simples, que não fazem poesia, não precisam de inspiração, são poetas por vocação.

"Não me importo com as rimas. Raras vezes
Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.
Penso e escrevo como as flores têm cor
Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me
Porque me falta a simplicidade divina
De ser todo só o meu exterior.

Olho e comovo-me,
Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado,
E a minha poesia é natural como o levantar-se o vento..."
(Alberto Caeiro)
terça-feira, 15 de abril de 2014 0 comentários

Sofrimento

"De vez em quando Deus me tira a poesia. Olho pedra, vejo pedra mesmo. O mundo, cheio de departamentos, não é a bola bonita caminhando solta no espaço." (Adélia Prado)
"Felicidade só em raros momentos de distração..." (Guimarães Rosa)

A vida é feita também de sofrimento. E a gente vive para afastá-lo achando que assim nos aproximaremos da tal "felicidade". Mas a vida é feita de ambos, então o melhor a fazer é vivenciá-los em paz. Para mim o sofrimento é uma condição de consciência. Quando um ente querido morre, vem o sofrimento nos "conscientizar" que a vida é finita, mesmo a gente vivendo como se gozasse de vida eterna. Quando sofremos por um amor 'perdido', é a vida nos lembrando que nada nos pertence. Negar o sofrimento nunca é a melhor saída, porque na próxima esquina ele nos acha novamente. Tentar desesperadamente preencher o vazio gerado por ele com elementos externos também não me parece uma boa ideia. Acho, na minha simplória experiência, que a saída mais 'saudável' é enfrentá-lo de frente, reconhecendo sua existência e permitindo sua vivência (passar pelo luto). Acredito que só assim conseguiremos identificar e agregar as ferramentas necessárias para superá-lo ou de algum forma conviver com ele em paz. Na minha primeira desilusão amorosa, eu achei que fosse morrer, literalmente. Até dores físicas no peito eu cheguei a sentir. Foi um longo e dolorido sofrimento, mas que me permitiu conhecer mais de mim mesma. Minha primeira experiência com morte de um familiar também foi barra pesada, mas me ajudou a passar com mais facilidade e tranquilidade nas outras duas que viriam. Dessa forma, percebo que minhas experiências com a dor tem ampliado meu repertório emocional e me ajudado a buscar dentro de mim mesma os instrumentos necessários para me readaptar. Percebo também que o sofrimento me obriga a ser criativa, ele me força a pensar em maneiras novas de superá-lo.
sábado, 5 de abril de 2014 0 comentários

uma vida inteira

*
"Entre o beijo de 5 minutos atrás e a premonição do fim, pode caber uma vida inteira. Não é fácil, tão pouco impossível. Se existe essa esperança intensa que chamamos de amor, então não há nada mais sensato a fazer do que soltarmos as mãos dos trapézios....Talvez a gente caia no chão, talvez a gente saia voando. O verdadeiro encontro só se dá ao tirarmos os pés do chão. Por que a vida não faz nenhum sentido se não for para darmos o salto."
sexta-feira, 4 de abril de 2014 0 comentários

silêncio...


"Escolhe teu diálogo
e
tua melhor palavra
ou
teu melhor silêncio
Mesmo no silêncio e com o silêncio
dialogamos".

(Drummond, em O constante diálogo)
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a pobreza e eu

Estar em constante contato com a pobreza e com as pessoas que sofrem seus males, cansa na alma, dói.
As necessidades são maiores do que eu tenho a oferecer. E eu nem ofereço ajuda emergencial, ofereço educação. Na minha ânsia imediatista de ajuda, às vezes fico pensando que eu deveria ter feito medicina e ter me oferecido para trabalhar nos Médicos sem Fronteiras, ou algo do tipo. Mas não fiz medicina e nem pretendo fazer, então neste sentido eu me basto assistindo documentários sobre as ações dessas organizações. Enquanto isso, vou seguindo, botando fé na educação como via de mudança e alteração de rotas.
terça-feira, 1 de abril de 2014 0 comentários

eu, intensa

Eu sou assim, ligada na tomada.
Sempre querendo encontrar uma razão pra tudo.
Pessoas como eu sofrem mais.
Se decepcionam mais.
Por outro lado, crescemos.
Evoluímos.
Amadurecemos.
Nada é estático em nossas vidas.
Nada é à toa.
Tudo ganha uma compreensão,
tudo é degrau, tudo eleva.
(Martha Medeiros, em Intensa)
quinta-feira, 27 de março de 2014 0 comentários

Fim.

E o fim chegou numa tarde nublada de domingo, com direito a silêncio na despedida. Dor.
*
(Arte de Leonid Afremov)
domingo, 16 de março de 2014 0 comentários

Maranata, ora vem

Apesar das desgraças, há ainda neste mundo algo sobrenatural que o suporta em amor e graça.
Shalom!
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Encontrando-me nos textos de Cecília

A ARTE DE SER FELIZ
(Cecília Meireles)

Houve um tempo em que minha janela se abria sobre um cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. 
 
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