"De vez em quando Deus me tira a poesia. Olho pedra, vejo pedra mesmo. O mundo, cheio de departamentos, não é a bola bonita caminhando solta no espaço." (Adélia Prado)
"Felicidade só em raros momentos de distração..." (Guimarães Rosa)
A vida é feita também de sofrimento. E a gente vive para afastá-lo achando que assim nos aproximaremos da tal "felicidade". Mas a vida é feita de ambos, então o melhor a fazer é vivenciá-los em paz. Para mim o sofrimento é uma condição de consciência. Quando um ente querido morre, vem o sofrimento nos "conscientizar" que a vida é finita, mesmo a gente vivendo como se gozasse de vida eterna. Quando sofremos por um amor 'perdido', é a vida nos lembrando que nada nos pertence. Negar o sofrimento nunca é a melhor saída, porque na próxima esquina ele nos acha novamente. Tentar desesperadamente preencher o vazio gerado por ele com elementos externos também não me parece uma boa ideia. Acho, na minha simplória experiência, que a saída mais 'saudável' é enfrentá-lo de frente, reconhecendo sua existência e permitindo sua vivência (passar pelo luto). Acredito que só assim conseguiremos identificar e agregar as ferramentas necessárias para superá-lo ou de algum forma conviver com ele em paz. Na minha primeira desilusão amorosa, eu achei que fosse morrer, literalmente. Até dores físicas no peito eu cheguei a sentir. Foi um longo e dolorido sofrimento, mas que me permitiu conhecer mais de mim mesma. Minha primeira experiência com morte de um familiar também foi barra pesada, mas me ajudou a passar com mais facilidade e tranquilidade nas outras duas que viriam. Dessa forma, percebo que minhas experiências com a dor tem ampliado meu repertório emocional e me ajudado a buscar dentro de mim mesma os instrumentos necessários para me readaptar. Percebo também que o sofrimento me obriga a ser criativa, ele me força a pensar em maneiras novas de superá-lo.