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segunda-feira, 22 de junho de 2009 0 comentários

Deixem que a poesia fale por mim...

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De vez em quando Deus me tira a poesia.
Olho pedra,
vejo pedra mesmo.
O mundo, cheio de departamentos,
não é a bola bonita caminhando solta no espaço.
(Poesia Reunida, p.199)
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***
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Aquele que me fez me tirou da abastança,
Há quarenta dias me oprime no deserto.
(...)
Ó Deus de Bilac, Abraão e Jacó,
Esta hora cruel não passa?
Me tira desta areia, ó Espírito,
Redime estas palavras do seu pó.
(Poesia Reunida, p.189)
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Pois não quero mais ser Teu arauto.
Já que todos têm voz,
por que só eu devo tomar navios
de rota que não escolhi?
Por que não gritas, Tu mesmo,
a miraculosa trama dos teares,
já que Tua voz reboa
nos quatro cantos do mundo?
Tudo progrediu na terra
e insistes em caixeiros-viajantes
de porta em porta, a cavalo!
(...)
Ó Deus,
me deixa trabalhar na cozinha, (...)
(Oráculos..., p.13)
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Poemas de Adélia Prado, escritora e poeta mineira.
Foto de Christian Baudet, futuro fotógrafo.
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